Lula Martins em arte multimídia CLIP POP - MOMENTO ANTROPLÁSTICO
20/12/2020 15:56 em Artes

Lula, ator, pintor, cineasta, fotógrafo, documentarista e pesquisador, ser polimorfo e hipersensível, apresenta-se-nos as suas últimas “curtições”. 

Detalhista esmerado em alguns momentos, noutros espontâneo e satírico. Vai do romântico ao espaço cósmico em turbilhão, queimando o seu élan de artista. 

Agora Lula é um homem em disponibilidade, com mil opções, em cada uma delas ou quem sabe em todas elas está presente no que nos mostra um fragmento de eternidade, de paixão e emoção.

 Mario Cravo Jr.

 OBJETIVO DO EVENTO

Exposição de arte multimídia CLIP POP - MOMENTO ANTROPLÁSTICO,  (Pinturas em telas e Pinturas digitais) lançamento do livro MÁGICAS  MENTIRAS (Sobre o desenvolvimento da cultura brasileira) e exibições do filme com Lula Martins no papel principal METEORANGO KID (Prêmios Ofício Católico Internacional, Opinião Pública e Especial da Crítica do Festival de Brasília) 

Vivemos num mundo em que os valores característicos de cada região tendem ao desaparecimento, rompendo com a identidade regional, dependendo dos órgãos governamentais, instituições, empresas e dos vários setores sociais, uma ação enérgica que promova a cultura e as artes, como fatores essenciais para a sobrevivência da dignidade e autoestima do seu povo.

O projeto CLIP POP tem como conceito a integração das distintas linguagens artísticas no contexto social. A representação do mundo e do universo através da pintura desde a pré-história até os nossos dias, resultante de um desenvolvimento técnico, dos instrumentos disponíveis em cada época.

ARTES PLÁSTICAS

Nas artes plásticas serão expostas telas que abrigam duas técnicas ou recursos plásticos: Pinturas e fotografias 

A pintura de vinil sobre tela, compondo um mundo imagético numa proposta temática e técnicas desenvolvidas através dos anos, as pinturas tem a marca pessoal do autor.

 

FESTA – Acrílico sobre tela – 160x160cm

SAMBA – Acrílico s/ tela – 160x100cm.

DANÇA – Acrílico s obre tela – 160x100cm.

D. Maria Picasso y Lopez degustando um Richebourg – Acrílico sobre tela -160x100cm

 

COMPUTAÇÃO GRÁFICA

A imagem eletrônica ou pintura virtual cresce na aceitação e valorização dos conhecedores de arte e nas galerias em todo o mundo, destacando grandes nomes das artes plásticas. A reengenharia dos recursos da informática vem proporcionar novas expressões de arte, descortinando um universo virtual de infinitas possibilidades não só para o cinema e a música, como também para as artes plásticas.

Em sua crescente expansão, as novas mídias possibilitam uma maior interação e inclusão social, disponibilizando as ferramentas virtuais de modo democrático, presentes nas produções artísticas dos grandes centros urbanos, nas expressões culturais das periferias e cidades do interior.

 

 

CINEMA

Exibição do filme METEORANGO KID HERÓI INTERGALÁTICO

A cinematografia baiana projetou no cenário internacional alguns filmes que ainda hoje permanecem como marcos dos seus momentos históricos. 

METEORANGO KID O HEROI INTERGALÁTICO do underground André Luiz Oliveira, uma crônica do final dos anos sessenta, um período marcado pela supressão das liberdades, e a resistência de uma jovem geração, atores das transições dos valores e da contracultura.

 

Opiniões de Jorge Amado e Mário Cravo sobre Meteorango kid.

 

LIVRO

O livro intitulado MÁGICAS MENTIRAS, lançado no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, em Salvador e na Livraria Cultura em São Paulo, será lançado durante o evento CLIP POP.

 

REPORTAGENS E ENTREVISTAS

Durante o lançamento de MÁGICAS MENTIRAS, Rogério Duarte se referiu ao ex companheiro de vanguarda como “uma ave rara da nossa constelação”. O brasilianista Chistopher Dunn, codiretor do Conselho de Estudos Brasileiros da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, atribui a ele força de símbolo da resistência nacional, que ganhou representatividade visual em Meteorango Kid. 

– Estudiosos e críticos elegem O Bandido da Luz Vermelha como o primeiro grande filme marginal, mas Meteorango Kid revelou com muito mais força a marginalidade e desilusão dos jovens brasileiros durante a época mais repressiva da ditadura – destaca o americano. 

Quem quiser compreender melhor a conturbada era vivida por nossa geração tem de ler MÁGICAS MENTIRAS de Lula Martins: o mais vivido e documentado multi-texto sobre esse tema, não apenas um mero relato histórico-jornalístico porque Lula, além de autor é um dos mais destacados personagens dessa epopeia.

Rogério Duarte

Artista multimídia PhD

... Neste âmbito contracultural, podemos inserir a história singular de Lula Martins, talvez o artista brasileiro mais interdisciplinar de uma época marcada pela permeabilidade entre as artes. Ele criou várias obras plásticas importantes como a peça Quero conversar com você exibido no famoso Bienal de São Paulo de 1967 a primeira grande mostra de pop art no Brasil. Fez dúzias de capas de disco, sua obra prima sendo aquela do Acabou Chorare dos Novos Baianos, escolhida pela crítica como a melhor capa em 1972. 

Compôs dúzias de letras de música, escreveu roteiros e  produziu documentários. Fez o papel principal no filme antológico Meteorango Kid de André Luiz Oliveira, um filme icônico do cinema udigrudi baiano adorado tanto pelos jovens desbundados como pelos velhos modernos como Jorge Amado que caracterizou o filme como “um soco violento que comove e revolta.” Lula comenta que “Meteorango era minha vida”, uma observação reveladora lembra a meta principal das vanguardas históricas, sobretudo o dadá: a destruição das fronteiras entre a arte e a vida... 

Christopher Dunn PhD

Chair Department of Spanish and Portuguese

Tulane University - New Orleans, Lousiana, EUA

 

CAPAS DE DISCOS

MÚSICAS - DISCOS DE VINIL E CDs

 

MATÉRIAS

Entrevista concedida a Narlan Teixeira,  sociólogo, poeta, professor da Universidade do Novo México e Universidade de Illinois. Especialista em cultura brasileira, para a revista PORTUNÕL da Universidade de Koeln na Alemanha

NT -Muitos críticos concordam que ¨Meteorango Kid¨ é uma pérola do cinema marginal brasileiro. Você e Caveirinha foram os protagonistas deste clássico. Como aconteceu de você atuar no filme?

LM –Trabalhei em algumas peças de teatro em Salvador. Fazia o papel de um hippie numa montagem dirigida por Álvaro Guimarães, de um script de Dias Gomes intitulado O Bem Amado, quando conheci André Luiz Oliveira  durante uma das  apresentações.  Tivemos uma maior aproximação quando fotografei parte do seu curta metragem ¨O Doce Amargo¨. Um dia  apareceu André no estúdio ¨Maëllstrom¨, me convidando para ser o ator do seu filme de longa metragem ¨O Mais Cruel dos Dias¨ que depois foi intitulado de ¨Meteorango Kid - Herói Intergalático¨, título de uma música de Tuzé de Abreu.

NT -¨Meteorango Kid¨ pode ser considerado um filme tropicalista? Caso sim, como?

LM - Meteorango Kid afina-se com as idéias e obras do momento tropicalista, integrando em sua trilha sonora músicas da Tropicália, como o discurso indignado de Caetano contra o conservadorIsmo da esquerda radical no Brasil em É Proibido Proibir e o poema de Rogério Duarte na música Volks Wagen Blues de Gil. Contudo, não se pode dizer que Meteorango seja um produto da Tropicália, e sim, uma produção pós-tropicalista, ligado ao movimento da Contra Cultura que se espalhava por todo o mundo.

 

EXPOSIÇÃO NO CENTRO CULTURAL CORREIOS 

 

Guitarra de Rendrix – Aço e madeira - Foto Cravo Neto

Uma das esculturas expostas na exposição do Museu de Arte Moderna da Bahia.

 

 

JN: Se tivéssemos que criar uma sinonímia para a palavra multiartista, com certeza o seu nome seria uma perfeita. Nestes quarenta anos de atividades artísticas e culturais você se envolveu no cinema como ator e diretor; nas artes plásticas com pintura e escultura, na literatura, na música e também na arte digital. Para quem ainda não o conhece, quem é Lula Martins?

Lula: Exerço a liberdade da criação espontânea. Sempre me interessei pelas diversas tendências das artes. Sou autodidata pesquisador e experimentalista. Gosto do novo desde que contextualizado dentro de uma responsabilidade social. O que faz um indivíduo existir é o coletivo. Existo porque existe o outro. É dentro da contracultura que tenho atuado e conceituado as minhas obras. Não se trata de um engajamento político nos termos direita/esquerda. Mas, de um movimento inovador, capaz de transformações essenciais como os direitos das minorias, as mudanças comportamentais, o desenvolvimento humano. Foi no corpo da contracultura que desencadearam as lutas pelos direito das mulheres, das crianças, intolerâncias raciais, étnicas, religiosas. O tropicalismo, movimento pernambucália, cinema novo, bossa nova, as vanguardas artísticas transformaram e transformam costumes e regras pétreas. Transformam as normas do paradigma. O cinema sempre foi a minha grande paixão. É uma arte sintética, reúne todas as outras formas de arte. Literatura, música, cenografia, fotografia, interpretação e sentimentos. Sou de uma geração em que cinema era tudo dentro de uma comunidade até o advento da TV.

JN: Artistas e o público de uma linha mais conservadora condenam a utilização do computador na criação de trabalhos artísticos. Como você enxerga essa crítica a arte digital?

Lula: Conservadorismo esnobe. As ferramentas digitais possibilitam novas formas de expressão, enriquece a produção audiovisual integrando a arte às novas linguagens midiáticas. São pinceis eletrônicos, editoras de filmes e livros. Que mal há nisso? Os recursos extraordinários dos programas oferecem resultados que só dependem, além do conhecimento técnico, criatividade e talento e aí teremos originalidade.

JN: Sabemos que a política é algo intrínseco nas nossas vidas, não essa política pejorativa vista  constantemente na mídia – a da politicagem –, e sim um mecanismo de relacionamento entre as pessoas. Você acredita que ainda é possível utilizar da verdadeira política para se construir uma sociedade melhor?

Lula: A ética na política é fundamental para a dignidade humana. Mas essa ética deve se estender a toda biosfera. O respeito pela vida e pelas condições ambientais do planeta. Mas o que vemos é uma barbárie política, promessas, mentiras, ambições desmedidas pelo poder e a sua manutenção. Há o poder oculto do mundo que comanda estes presidentes laranjas mecânica. A ética, o não especismo elitista, o amor e o respeito, podem sim, apontar caminhos para esse mundo tão desequilibrado.

JN: A exposição “Momento Antroplástico” (40 pinturas na técnica vinil sobre tela e 10 pinturas digitais, além da projeção de 10 slides) ficou em cartaz até o dia 30 do mês passado no Centro Cultural Correios, no Pelourinho, em Salvador. Quais os planos para o futuro?

Lula: Estou lançando ainda esse mês um novo livro que intitulei de “Somos Todos Felizes” que é uma novela literária, uma meta ficção sobre certos aspectos de Salvador atual. Acompanha um CD de forró alusivo ao sanfoneiro Seu Biroco, um personagem do livro. Tenho também exposições programadas para Brasília e São Paulo.

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